História
1973
Em 1973, com apenas 13 anos (naquela altura facto inédito)
tomei a liberdade de telefonar para um programa desportivo
muito popular naquela época, o “Rádio
Totobola”, dizer-lhes que era ouvinte habitual
e que tinha tido uma ideia para o respectivo programa,
e que se quisessem, poderiam contar semanalmente comigo,
na elaboração dos melhores marcadores
da segunda divisão, extraído através
das fichas técnicas, que o Jornal “A Bola”
publicava, todas as segundas-feiras. Posso dizer, que
este meu impulso, este click, ajudou-me a abrir as portas
do universo rádio, e que a boa vontade dos responsáveis
do respectivo programa, entre os quais Acácio
Pestana, Dr. Sidónio Fernandes, Juvenal Xavier,
Fernando Rodrigues e Dr. João Pedro Mendonça,
lançaram-me na actividade, que hoje passados
trinta e três anos, abraço de forma exclusivamente
profissional.

De repórter inicial, e do lado de fora, a convidado
a fazê-lo em estúdio, foi um pequeno passo,
que representou um prémio para alguém,
que como eu se dedicava (mais que aos estudos).
O mais difícil para mim, era ter de me deslocar
todas as manhãs de Domingo, desde a Conde Carvalhal,
passando pela Rua do Bom Jesus, Largo do Colégio,
Rua da Carreira, Rua das Maravilhas, Cruz de Carvalho,
Caminho do Pilar, sempre em direcção ao
Pico dos Barcelos a pé, porque dinheiro para
a camioneta, infelizmente, não havia. Havia era
um grande amor por esta paixão chamada rádio,
que nem o trajecto de uma hora a pé, nem a forma
graciosa de como era feito o meu trabalho, poderia desmotivar.
Já em estúdio, passados
alguns meses de contínuas colaborações,
foi-me sugerido passar para o lado de dentro, o da régie
técnica, da mesa de mistura, ou seja, do controlo
da emissão, qual sonoplasta e apresentador. Foi
um dos momentos mais excitantes e de grande significado
para mim, pois possuía apenas 13, 14 anos e era
de facto fascinante poder estar a mexer em todos aqueles
botões, num programa de tamanha popularidade
e por via disso, tão grande responsabilidade.
A minha missão era colocar as chamadas no ar,
abrir e fechar os microfones, colocar as músicas
e os RM’s das reportagens em antena. Reportagens
essas, que passaram a serem efectuadas mais tarde por
mim, nos finais dos jogos dos Barreiros, entre as quais
recordo-me, como se ainda hoje fosse, uma entrevista
ao mítico e saudoso mestre, José Maria
Pedroto.
1977
Em 1977 desempenhava já a actividade de DJ no
Hotel Miramar, e o meu primeiro programa musical na
extinta Rádio Madeira, que se chamou “New
York, New York”, continuava a apresentar sempre
as últimas novidades, estas importadas exclusivamente
dos Estados Unidos. O programa tornou-se reconhecido,
pois apresentava com a eficiência de muitos meses
de antecedência, a chegada das novidades musicais,
à Madeira.

Anos oitenta
Na década de oitenta, com grande parte da minha
carreira a ser realizada em vários países,
iniciei algumas colaborações com rádios
em Tenerife, Palma de Mallorca, Alemanha e Benidorm,
tendo chegado a enviar desde esta cidade espanhola,
inclusivé, alguns programas de garantida continuidade,
como “Music Action” para a rádio
Solmar, no Algarve na Rádio Club do Sul, e ainda
posteriores colaborações com as rádios
Neiva, Atlântico dos Açores, e a Rede A
de Almada, uma rádio de reconhecida qualidade
e audiência, onde fui encontrar nomes importantes
do actual panorama radiofónico nacional, caso
do meu amigo Paulo Fragoso, da RFM.
1989
O meu regresso definitivo à Madeira, dá-se
em finais de Setembro de 1989, após uma longa
temporada de nove meses consecutivos como DJ, na melhor
casa do país, a “TRIGONOMETRIA” da
Quinta do Lago, Algarve. Ricardo Portela da extinta
Rádio Madeira, pretendia dinamizar o novo canal
FM, os canais novos surgiam por todo o lado, e aceitei
o desafio, criando um espaço de quase quatro
horas, virado para a malta mais nova. Entre as 20:00
e as 21:00, cheguei a apresentar no primeiro ano, a
chamada onda de som Indie, denominado “Som Branco”!
A partir de 1991, o Rock clássico da “Pantera
Cor de Rock” tomou conta daquele horário.
Dois grandes programas, entre músicas novas e
grandes clássicos do Rock! Entre as 21:00 e as
23:00 entrava o “Dance Music”, que ainda
hoje é recordado por muitas pessoas, que na altura
ouviam todas as últimas importações
na área de Dance, e logo após as notícias
com a BBC, às 23:30, “Momentos de Ouro”
para acalmar a noite, ainda antes do encerramento da
emissão.
“Dance Music – Party Time”
O “Dance Music Party Time” foi um projecto
na minha opinião bem elaborado, que resultou,
porque continha elementos essenciais para ter sucesso,
como entrevistas com artistas de topo mundial, os primeiros
ID’s internacionais da História da rádio
na Madeira, semanalmente as últimas importações
na área de Dance Music, (provocando o delírio
na juventude de então) a interactividade com
os ouvintes, através do “Telephone Funk“
e ainda, o meu toque tecnológico na utilização
de “sampler’s” e das misturas, com
Jingles, Mix’s, Remix’s e Megamix’s,
algo inédito na altura.

Na “Renascença” com Ribeiro
Cristóvão
A Estação Rádio Madeira, como tinha
Onda Média, por tradição apresentava
tardes desportivas, onde me recordo ter relatado vários
jogos de futebol, entrando inclusivé em emissão
nacional, na maior audiência desportiva do país,
a Rádio Renascença de Ribeiro Cristóvão,
Paulo Catarro, Valdemar Duarte, Pedro de Sousa e Pedro
Azevedo.

Naqueles tempos, até os intercalares
noticiosos eram lidos pelo locutor de serviço,
pelo que posso afirmar, que a minha passagem pela extinta
Estação Rádio Madeira, foi a frequência
com bom aproveitamento, por uma verdadeira Escola de
Rádio, na Região.
1992, na Rádio Jornal
da Madeira
Com o aliciante convite que recebi do Casino da Madeira,
para a abertura do novo espaço “Baccará”,
em Julho de 1991, por algum tempo interrompi algo de
bonito que estava a ser feito na extinta Estação
Rádio Madeira, abraçando novamente a actividade
que ao longo de muitos anos me projectou, concentrando-me
então, no novo projecto do Casino da Madeira,
o ultra vanguardista “Baccará”.
Quem ama rádio, sabe que jamais
consegue dela se afastar por muito tempo. A rádio
é uma actividade que mexe connosco, todas as
horas do dia, se tal for necessário.
Contava na altura entrar numa determinada estação
de rádio, e a demora da respectiva concretização,
fez-me aceitar um convite da Empresa Jornal da Madeira,
que pela forma séria e uma certa insistência
dos seus responsáveis de então, fizeram-me
regressar mais cedo à actividade, tendo iniciado
a minha primeira emissão, numa tarde de 2 de
Março de 1992.
A rádio da juventude
Foi-me pedido essencialmente para dinamizar a RJM junto
da juventude, e pensar numa estratégia ou programa
para o mesmo. Fizemos um trabalho fantástico!
A RJM entre 1992 e até à saída
de antena do Top Ternura, (que alguém infelizmente
mandou acabar) liderou as audiências, nas escolas,
nas praias, junto da juventude, no coração
dos pais, professores, estudantes, finalistas, etc.

FM JOVEM
Um trabalho sério, estóico, com múltiplas
rubricas como “Os Top’s das Escolas”;
“O Top Ternura”; “O Top Ten Air-Play
Chart”; “A Caixa dos Poemas”; o “Cartão
do FM Jovem” com mais de três mil estudantes
inscritos de várias escolas, até fora
do Funchal, as entrevistas em estúdio com a malta
nova, o acompanhamento das respectivas actividades escolares,
das Associações de Estudantes, dos Finalistas,
onde inclusivamente a expensas minhas me desloquei durante
três anos consecutivos a Canárias e Benidorm,
para a efectivação em directo de reportagens,
com a Apel, Jaime Moniz, Francisco Franco e Dr. Ângelo
Augusto da Silva.



Para muitos, o “FM Jovem”
surgiu em antena como “autêntica bomba”.
Fez mossas na concorrência, pulverizou as audiências,
identificou a rádio com a juventude, que aliás
está no gene da sua fundação.
Não peco por excesso, na convicta afirmação
de que o “FM Jovem” ajudou a revolucionar
a rádio FM na R.A.M. Assente num modelo de entretenimento
diversificado e possibilitando à malta nova,
dia após dia, entrarem em programa, dezenas de
chamadas telefónicas eram diariamente colocadas
no ar, num desafio verdadeiramente inovador, qual primeira
“Prova Oral” radiofónica do país.
Este mini “talk show” para a juventude,
incluía pelo meio informações sobre
as escolas da Região, apresentando diariamente
as últimas novidades discográficas, entrevistas
com artistas, Jingles apropriados e suportados numa
estética sonora, por mim criados todos os dias,
no meu estúdio pessoal.

Guardo gratas recordações
das imensas filas de alunos nas instalações
da RJM, (cerca de três mil inscreveram-se para
o cartão do “FM Jovem”) do frenesim
em volta do programa, dos pais que se ligaram também
à rádio para ouvirem os seus filhos, dos
professores que passaram a ouvir o 88.8 FM, e por reflexo
toda uma cidade, que nos ajudou a colocar na liderança
das audiências. Em tempo de férias, com
as escolas fechadas, sugeri ao director de então,
que o “FM Jovem” fosse apresentado nas praias
da Região, por forma a manter esta forte ligação
à juventude. Começámos pela praia
Formosa, passámos pelo Porto Santo e em muito
pouco tempo, já cobríamos as principais
praias da Região, estendendo-se a emissão
agora a outros horários, assente numa equipa
dinâmica e criativa.
Ao longo dos anos, a história
foi-se repetindo, com as necessárias modificações
adaptadas a novas realidades, daí o “Energia
Jovem” e “Onda Jovem”, até
que, por mudanças de chefia, a dinâmica
“FM Jovem” aos poucos se vai alterando.