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Curiosidades

Um dos responsáveis editoriais pelo meu site, pediu-me com alguma
insistência para que eu próprio escrevesse uma página dedicada só a curiosidades, factos inusitados, cómicos ou que eu considerasse interessantes para compartilhar com todas as pessoas que tenham acesso
ao meu site, especialmente o público português.

Achei então por bem, seleccionar alguns episódios, que por serem engraçados, são também motivo de reflexão, quer por uma, ou por outra razão, muitas vezes porque somos todos iguais, todos diferentes, e pensamos todos de forma distinta, e ainda bem que é assim a vida…

A minha saída da Discoteca Barbarella em Dezembro 1980, numa altura em que esta casa simplesmente era a melhor em toda a Madeira, com uma frequência de público de elevado status social, e com enormes enchentes
diariamente no antigo Hotel Miramar à estrada Monumental, é no mínimo anedótica e digna, de facto, de ser aqui contada...


I


No dia 8 de Dezembro de 1980, correu célere a informação de que John Lennon havia sido assassinado, fria e cobardemente por Mark Chapman, em frente à entrada do seu apartamento “Dakota”, na cidade de Nova Iorque, onde de resto vivia.

A morte de John Lennon como sabem, chocara o mundo inteiro, sobretudo o mundo da música. As pessoas ligadas à indústria musical, onde neste caso particular também me incluo, durante a sua infância e adolescência, passaram horas a fio, ouvindo as inimitáveis músicas de John Lennon e dos Beatles, e ficaram, tal como eu, arrasadas, como que orfãs pelo sucedido.

A título pessoal, decidi prestar uma homenagem que considerava justa na famosa Barbarella, com casa cheia, anunciando um minuto de silêncio, em memória do abruptamente falecido John Lennon. Tudo normal, pois claro, não fosse o desacordo do então director, um tal de Catalão de seu nome, e que não só, não autorizou tal interrupção simbólica, como a justificou por ferir a dignidade da clientela, uma vez que estavam ali para ouvirem música, e não para homenagearem quem quer que fosse, mesmo que esse alguém se chamasse John Lennon...

Bem que tentei demover o então director do Hotel e da sala Barbarella, invocando que aquele seria um momento único, sensibilizante, justo e que em nada iria prejudicar a sala, o seu ambiente e clientes, uma vez que tal teria uma duração simbólica de apenas 60 segundos... e que até seria muito bem apreciado pelo público presente, uma vez que os clientes se encontravam maioritariamente, na faixa de fãns de John Lennon (30, 40). Mas de facto, este senhor Catalão mostrava-se irredutível, e é claro que desconfiei que o mesmo ou era insensível, ou então não gostava nem um pouco dos Beatles, nem de John Lennon, vai daí, decidi por vontade própria, colocar o tal minuto de silêncio, colocando de seguida o Bailinho da Madeira, despedindo-me do então director na minha verdura de jovem, ainda chocado com a insensibilidade deste, afastando-me da discoteca e com os meus discos debaixo do braço...

Aquela seria, a minha última noite aos comandos da célebre Barbarella, com casa cheia...

No dia seguinte, o Funchal não falava de outra coisa, e quando souberam a verdade, os clientes tentaram-me demover para que regressasse, tendo até o então director convocado uma reunião de emergência, sem êxito, uma vez que passei a considerar aquele director... de insensível musical, e desenquadrado com a realidade artística...

Mais tarde, soube que o mesmo seria substituído por um director madeirense, esse sim, com grande sensibilidade artística e formação humana, e que pretendia o meu regresso, que na altura, por outros compromissos profissionais, recusei.


II


Em 1985 regressei à Madeira num curto período de férias. Sabendo que me encontrava na Região, os responsáveis do (na altura) Hotel Sheraton convidaram-me para uma actuação num Sábado à noite no "Disco Club O Farol"!

Casa cheia a romper pelas costuras, o que era normal para aquela época, até porque o Farol representava um novo ponto de encontro da sociedade madeirense. Mas naquele dia, tudo estava diferente, parecia que ninguém queria perder pitada do que viesse a acontecer.

Tive grandes dificuldades em chegar à cabine de som. Foram necessários quase vinte minutos para percorrer o caminho, desde a porta da discoteca até à cabina da mesma, na altura com Emanuel Juanito e Ricardo Campos como DJ’s. À minha frente, na bem preenchida mesa de convidados, Dionísio Pestana.

Começa o espectáculo!
Agarro num single dos Queen, "I Want to Break Free" e começo a cantar Rap e a fazer "scratch", uma técnica que apanhou desprevenido o patrão do Grupo Pestana, virando-se de repente para trás (cabine), pensando que eu lhe estava a riscar os discos todos...

Aplausos, e a técnica do “scratch” que inicialmente surpreendera, seria compreendida.

III


O meu passaporte datado de 1994 e registado em Barcelona, uma vez que na altura residia em Palma de Malorca, na área reservada à profissão, dizia "DJ Internacional"! Verdadeiramente pouco comum, mesmo inédito, e que guardo como uma preciosidade, pelo reconhecimento e deferência do senhor embaixador português em Espanha.


IV


No Verão de 1987 encontrava-me a trabalhar em Benidorm, na famosa
"STAR LIGHT", uma casa com o sistema de luzes mais bonito de toda a Espanha e até considerado como o melhor show de luzes da Europa, entre 1983 e 1985.
Benidorm no Verão, recebia pessoas de todas as partes da Europa, e em Agosto desse ano um jovem português passou todas as noites em frente à minha cabine, observando minuciosamente, tirando apontamentos e até escrevendo o nome dos discos que na altura eu misturava e tocava...
Este rapaz português que ali passou as noites de Agosto observando o meu trabalho, é hoje, um dos mais importantes e populares DJ's do Mundo...
O meu amigo, DJ VIBE!!!


V


Em Março 1988 cheguei ao aeroporto de Londres para disputar o campeonato do Mundo de DJ's, carregado de equipamento, colunas, amplificador, mesa de mistura, dois turntables profissionais da Technics, tendo o oficial da alfândega inglesa, impedido a entrada deste equipamento em Inglaterra (na altura a Europa ainda tinha fronteiras comerciais).

Expliquei, que todo aquele equipamento era necessário, para eu poder treinar no quarto de hotel a minha prova, que teria lugar daí a dois dias, em Londres.
O funcionário alfandegário ficou tão espantado e impressionado, com o elevado sentido de profissionalismo e responsabilidade com que eu encarava aquele campeonato do Mundo, que deixou seguir todo o equipamento electrónico, sem a aplicação de nenhuma taxa comercial, tendo até sido notícia nos media britânicos, no dia seguinte.

VI

Não sei se esta pequena nota, poderá ser incluída aqui como curiosidade, mas falando com o editor principal do meu site, chegámos à conclusão que já trabalhei para mais de um milhão de pessoas, ao longo de quase trinta anos de carreira, perfazendo ou se calhar, até ultrapassando as cerca de trinta mil horas de misturas de música.... Se desse para conduzir um avião, seria comandante…

João Canada

 
 
 
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